sábado, 26 de março de 2011

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente…

-Fernando Pessoa

3 comentários:

  1. Lindo texto (:
    Obrigada pela visita, espero que volte mais vezes. Estou seguindo!

    beijos

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  2. Brigada.
    Vou voltar mais vezes sim

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  3. Obrigada querida :3
    Também já estou seguindo o teu*

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